A arte de colecionar vinil.

Colecionar discos de vinil, não é simplesmente comprá-los e ouvi-los. Existe toda uma mística, um ritual. Havia ainda os sebos da capital catarinense, onde todas as semanas eu cumpria o ritual de visitá-los pelo menos uma vez por semana.

Comecei a comprar discos no início dos anos 2000, quando fui morar em Florianópolis. Lá, todas as quartas e sextas, existia uma feira em frente à Catedral Metropolitana, que entre diversas barraquinhas de artesanato, tinha a do Seu Lima, que sempre estava lá com suas caixas de discos. Como este era meu caminho do trabalho para casa, eu sempre passava por lá para conferir o que estava à venda, e assim começa minha saga em busca de discos.   

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Foto: acervo pessoal.

Nesta época, os discos não valiam quase nada, era possível, por exemplo, comprar discos até certo ponto raros, por não mais que R$ 2,00 a R$ 5,00. Havia ainda os sebos da capital catarinense, onde todas as semanas eu cumpria o ritual de visita-los pelo menos uma vez por semana.

O tempo passou, veio o advento da internet, e colecionar vinil ficou mais profissional e mais caro. Com o Mercado Livre, os colecionadores e vendedores, começaram quase que a tabelar o preço dos discos, assim, ficou muito mais difícil achar algo raro a preço baixo.

Diferente do modo de se ouvir música hoje, ouvir um vinil tem todo um processo. Existe o ritual de tirar o disco da capa, colocar no toca discos, virar o lado do disco… Normalmente quem compra vinil, gosta de olhar o disco, a capa, o encarte, adora saber a história daquele disco, onde foi gravado, quais os músicos participantes, etc. Em outras palavras, ter um disco de vinil, é quase como ter uma aula de história da música. Além disso, cada colecionador tem sua fórmula de organizar sua coleção, por ordem alfabética, por gênero musical, por ano de lançamento entre infinitos outros meios que só o próprio colecionador entende. Visitar um amigo colecionador é, com certeza, ter que ouvir inúmeras histórias sobre os discos, sobre como foi comprado cada disco, ou seja, você precisa ir com tempo visitar um amigo assim. Para ter uma ideia da obsessão, não é raro você encontrar colecionadores que tem mais de uma cópia de determinado disco, com a única diferença de ser edições diferentes, quase tudo é igual, muda um selo, um detalhe, mas o colecionador “precisa” de ambos. E não tente comprar uma das cópias, pois você ira receber um sonoro “não está à venda”.

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Preciosidades do rock nacional dos anos 70.

Quando comecei a comprar discos, gostava de Rock nacional dos anos 80, assim, comprei coleções inteiras dos Titãs, TNT, Garotos da Rua e principalmente Camisa de Vênus, entre outras. Depois de um show da banda Patrulha do Espaço que fui em 2002, fui apresentado a um “novo mundo”. O Rock dos anos 70 tomou de assalto meu gosto musical. Hoje minha coleção se baseia neste ramo, sempre a procura de bandas obscuras, algumas que nunca conseguiram os louros do sucesso.

Hoje diversas lojas trabalham com discos de vinil, sejam novos ou usados, então se você quiser começar, basta iniciar seu garimpo, seja em uma loja perto de sua casa ou em horas e horas em frente ao computador, sempre com trilha sonora daquela bolacha rodando.

Jader Faust